DISCIPLINA SOCIOLOGIA - ATIVIDADE PARA AS SEGUNDAS E TERCEIRAS SÉRIES DO ENSINO MÉDIO
1) Leitura do texto sobre Max Weber: Tipos de Dominação
2) Ao ler o texto procure estar atento:
a) para compreender e retirar os conceitos que são abordados.
b) para destacar a questões levantadas ao longo do texto.
SOCIOLOGIA - ATIVIDADE EXCLUSIVA DAS TERCEIRAS SÉRIES:
a) Assistir ao vídeo sobre Clássicos da Sociologia - Sociólogo: E. Durkheim- endereço eletrônico: https://www.youtube.com/watch?v=SMaxxNEqk7U - Tempo do vídeo 17 minutos
b) Procurar captar as seguintes questões:
1) Qual o objeto de estudo da sociologia na visão de Durkheim
2) O que é Fato Social? Suas características.
3) Segundo o vídeo qual o papel/função da Escola?
4) Destaque outras questões (conceitos) abordadas no vídeo referente ao pensamento de Dhurkheim.
TEXTO
OS
TIPOS DE DOMINAÇÃO EM MAX WEBER
(Paulo César de Carvalho Jacó)
É possível encontrar os conceitos
centrais da sociologia política de Max Weber (1864-1920), basicamente, em duas
de suas obras: Economia e sociedade (póstuma) e de forma sintética, na conferência
de 1919 - “A política como vocação” (SELL, 2013).
Os estudos de Weber (na obra:
Economia e sociedade) apontam para a noção de Política que é vista como “[...]
o conjunto dos esforços feitos com vistas a participar do poder ou influenciar
a divisão do poder, seja entre Estados, seja no interior do próprio Estado”
(WEBER, 1967, p.56 apud SELL, 2013, p.136). Pelo visto, duas ideias são
centrais na definição anterior: Poder e Estado. A primeira é compreendida como:
“Toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo
contra resistência, seja qual for o fundamento dessa probabilidade” (WEBER,
2000, p. 33). A noção de Estado, pela
perspectiva de Weber, deve ser compreendida procurando desvelar os meios
utilizados por este para impor suas decisões (SELL, 2013). O Estado Moderno,
segundo Weber, nasce da tentativa de centralização dos poderes: do exército, da
administração financeira, do poder jurídico, da burocracia. Tal feito, só é
possível, através da unificação dos territórios e limitação do poder dos
senhores feudais (SELL, 2013). A dominação (autoridade) estabelecida no Estado
Moderno é vista como: “[...] a probabilidade de encontrar obediência a uma
ordem de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis” (WEBER,
2000, p. 33). No cotidiano, a dominação é
multifacetária e efetiva-se através de
costumes e crenças, pois carece de legitimidade para seu exercício. Segundo
Weber (2000) uma situação de poder autoritário não constitui-se em dominação à
qual são necessários instrumentos que a legitimam e certo grau de concordância
(aceitabilidade) dos dominados. Associada
à dominação surge a ideia de disciplina, abordada como a “probabilidade de
encontrar obediência[1]
pronta, automática a uma ordem, entre uma pluralidade indicável de pessoas, em
virtude de atividades treinadas (WEBER, 2000, p. 33). A disciplina inclui
treino na obediência, sem crítica e nem resistência. Tais definições nos conduzem, sem muito esforço, ao espaço da
educação, especificamente das escolas e, perguntamos: Aluno disciplinado é
aluno treinado? Caso a escola seja espaço onde haja alguma forma de dominação –
quem domina quem? Quais os instrumentos de treino? Quais os mecanismos que
geram a obediência? Em tal espaço (escola) apenas os alunos obedecem?
A sociedade moderna, sob a égide
de um Estado centralizador de diversas
formas de poder, burocratizado e institucionalizado, encontra-se em
disputa pelos agentes sociais que buscam o monopólio dos instrumentos de poder
com o objetivo de ampliar, preservar e perpetuar a dominação estabelecida.
Pelo apresentado até aqui, podemos
dizer que o Estado moderno é configurado, ou caracterizado, pelo monopólio do
poder, sob certo controle, desenvolve uma política de centralização, portanto,
de dominação de todas as instancias produtivas a partir de distintas formas e
instrumentos institucionalizados.
Numa constelação de conceitos que
compõe o pensamento de Weber no campo da sociologia política e reluzindo com
mais intensidade, desponta a noção de Dominação
descrita no livro Economia e Sociedade. À pergunta - o que busca Weber? Podemos
responder: compreender os fundamentos que tornam legítima a autoridade e as
razões internas que justificam a dominação (SELL, 2013). Tais questões são provocativas em todas as
esferas da vida, pois possibilitam problematizar a ordem estabelecida nas mais
distintas instancias do cotidiano: política, econômica, escolar, familiar... . Diante
das questões apontadas é oportuno perguntar: O que torna legítima a autoridade
dos pais sobre sua prole? A autoridade
do professor sobre seus alunos? Do governante sobre seu povo?
Weber estabelece uma tipologia
da dominação ao mostrar a pessoalidade e impessoalidade do poder classificando-a
em três: a) dominação legal; b) dominação tradicional; c) dominação
carismática.
A
dominação legal é de caráter racional e acontece de forma impessoal. Aqui há
uma crença na legitimidade da lei que instituiu as pessoas para dominar. Esta
forma de dominação tem todo um aparato institucional que pode vir acompanhado,
ou não, de um quadro administrativo burocrático. Nessa perspectiva, a
burocracia é uma forma de racionalização da vida, realizada num sistema
capitalista o qual permite a quem detêm tais meios, perpetuar sua dominação.
Aqui a questão é “quem domina o aparelho burocrático existente”? A
burocratização moderna tem suas especificidades e alcances: jurídico - ao
estabelecer e controlar normas; hierarquização dos postos que permite o
controle de um pelo outro, segundo tal ordem de poder; a criação de documentos
como forma de administração; controle do tempo nas repartições de trabalho
(WEBER, 1982 apud SELL, 2013). Quando pensamos no espaço da escola vemos a
atividade do professor dominada por um extenso processo burocrático e
administrativo (que indica controle). O Estado controla o trabalho
(intelectual) docente por meio dessa racionalização da atividade pedagógica.
Contudo, a questão é saber se o controle, numa perspectiva teleológica, é algo
bom ou ruim do ponto de vista político, social ou mesmo ético.
Dominação tradicional: aqui o poder é
pessoal e necessariamente não tem um quadro administrativo-burocrático.
Observa-se tal formato onde há a crença, quase que sagrada, nas ordens e na
figura dos senhores. Quando ela é realizada por um membro mais velho da
sociedade tem-se uma gerontocracia. Na existência de um quadro administrativo
pode configurar, por exemplo, o patrimonialismo (direito de mando de um
senhor). No modelo de dominação legal com quadro administrativo a posição de
senhor é de exclusividade do dirigente através de apropriação, eleição ou
designação (WEBER, 2000).
Chegamos à dominação carismática:
centrada nas qualidades pessoais de alguém, de um carisma, qualidades mágicas,
ou mesmo vistas como sobrenaturais. Parece-nos que por parte de quem dominada
há também a crença de que suas habilidades (poderes) são de ordem extracotidiana.
Poder-se-ia dizer que a autoridade do carismático é pela “graça de Deus.” Weber
também traz o problema da rotinização do carisma, fenômeno ocorrido quando um
poder torna-se permanente.
Referência:
SELL, Carlos Eduardo. Sociologia clássica:
Marx, Durkheim e Weber. 5. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
WEBER, Max. Os Tipos de dominação. In
WEBER, Max. Economia e sociedade. Fundamentos da sociologia compreensiva.
Brasil: UNB, 4ª ed.; 2012, p. 139-167.