terça-feira, 7 de outubro de 2014

QUARTO BIMESTRE:

DISCIPLINA SOCIOLOGIA - ATIVIDADE PARA AS  SEGUNDAS E TERCEIRAS SÉRIES DO ENSINO MÉDIO
1) Leitura do texto sobre Max Weber: Tipos de Dominação
2) Ao ler o texto procure estar atento:
a) para compreender e retirar os conceitos que são abordados.
b) para destacar a questões levantadas ao longo do texto.

 SOCIOLOGIA - ATIVIDADE EXCLUSIVA DAS TERCEIRAS SÉRIES:
a) Assistir ao vídeo sobre Clássicos da Sociologia - Sociólogo: E. Durkheim- endereço eletrônico:  https://www.youtube.com/watch?v=SMaxxNEqk7U - Tempo do vídeo 17 minutos
b) Procurar captar as  seguintes questões:
 1)  Qual o objeto de estudo da sociologia na visão de Durkheim
 2)  O que é Fato Social? Suas características.
 3)  Segundo o vídeo  qual o papel/função da Escola?
 4)  Destaque outras questões (conceitos) abordadas no vídeo referente ao pensamento de Dhurkheim.
                                                                   
                                                                         
                                                                           TEXTO


                                            OS TIPOS DE DOMINAÇÃO EM MAX WEBER                              
                                                                                                       (Paulo César de Carvalho Jacó)
                                                          
            É possível encontrar os conceitos centrais da sociologia política de Max Weber (1864-1920), basicamente, em duas de suas obras: Economia e sociedade (póstuma) e de forma sintética, na conferência de 1919 - “A política como vocação” (SELL, 2013).  
            Os estudos de Weber (na obra: Economia e sociedade) apontam para a noção de Política que é vista como “[...] o conjunto dos esforços feitos com vistas a participar do poder ou influenciar a divisão do poder, seja entre Estados, seja no interior do próprio Estado” (WEBER, 1967, p.56 apud SELL, 2013, p.136). Pelo visto, duas ideias são centrais na definição anterior: Poder e Estado. A primeira é compreendida como: “Toda probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistência, seja qual for o fundamento dessa probabilidade” (WEBER, 2000, p. 33).  A noção de Estado, pela perspectiva de Weber, deve ser compreendida procurando desvelar os meios utilizados por este para impor suas decisões (SELL, 2013). O Estado Moderno, segundo Weber, nasce da tentativa de centralização dos poderes: do exército, da administração financeira, do poder jurídico, da burocracia. Tal feito, só é possível, através da unificação dos territórios e limitação do poder dos senhores feudais (SELL, 2013). A dominação (autoridade) estabelecida no Estado Moderno é vista como: “[...] a probabilidade de encontrar obediência a uma ordem de determinado conteúdo, entre determinadas pessoas indicáveis” (WEBER, 2000, p. 33). No cotidiano, a dominação  é  multifacetária e efetiva-se através de costumes e crenças, pois carece de legitimidade para seu exercício. Segundo Weber (2000) uma situação de poder autoritário não constitui-se em dominação à qual são necessários instrumentos que a legitimam e certo grau de concordância (aceitabilidade) dos dominados.  Associada à dominação surge a ideia de disciplina, abordada como a “probabilidade de encontrar obediência[1] pronta, automática a uma ordem, entre uma pluralidade indicável de pessoas, em virtude de atividades treinadas (WEBER, 2000, p. 33). A disciplina inclui treino na obediência, sem crítica e nem resistência. Tais definições  nos conduzem, sem muito esforço, ao espaço da educação, especificamente das escolas e, perguntamos: Aluno disciplinado é aluno treinado? Caso a escola seja espaço onde haja alguma forma de dominação – quem domina quem? Quais os instrumentos de treino? Quais os mecanismos que geram a obediência? Em tal espaço (escola) apenas os alunos obedecem?
             A sociedade moderna, sob a égide de um Estado centralizador de diversas  formas de poder, burocratizado e institucionalizado, encontra-se em disputa pelos agentes sociais que buscam o monopólio dos instrumentos de poder com o objetivo de ampliar, preservar e perpetuar a dominação estabelecida.
            Pelo apresentado até aqui, podemos dizer que o Estado moderno é configurado, ou caracterizado, pelo monopólio do poder, sob certo controle, desenvolve uma política de centralização, portanto, de dominação de todas as instancias produtivas a partir de distintas formas e instrumentos institucionalizados.    
            Numa constelação de conceitos que compõe o pensamento de Weber no campo da sociologia política e reluzindo com mais intensidade, desponta a noção de Dominação descrita no livro Economia e Sociedade.  À pergunta - o que busca Weber? Podemos responder: compreender os fundamentos que tornam legítima a autoridade e as razões internas que justificam a dominação (SELL, 2013).  Tais questões são provocativas em todas as esferas da vida, pois possibilitam problematizar a ordem estabelecida nas mais distintas instancias do cotidiano: política, econômica, escolar, familiar... . Diante das questões apontadas é oportuno perguntar: O que torna legítima a autoridade dos pais sobre  sua prole? A autoridade do professor sobre seus alunos? Do governante sobre seu povo?
               Weber estabelece uma tipologia da dominação ao mostrar a pessoalidade e impessoalidade do poder classificando-a em três: a) dominação legal; b) dominação tradicional; c) dominação carismática.
              A dominação legal é de caráter racional e acontece de forma impessoal. Aqui há uma crença na legitimidade da lei que instituiu as pessoas para dominar. Esta forma de dominação tem todo um aparato institucional que pode vir acompanhado, ou não, de um quadro administrativo burocrático. Nessa perspectiva, a burocracia é uma forma de racionalização da vida, realizada num sistema capitalista o qual permite a quem detêm tais meios, perpetuar sua dominação. Aqui a questão é “quem domina o aparelho burocrático existente”? A burocratização moderna tem suas especificidades e alcances: jurídico - ao estabelecer e controlar normas; hierarquização dos postos que permite o controle de um pelo outro, segundo tal ordem de poder; a criação de documentos como forma de administração; controle do tempo nas repartições de trabalho (WEBER, 1982 apud SELL, 2013). Quando pensamos no espaço da escola vemos a atividade do professor dominada por um extenso processo burocrático e administrativo (que indica controle). O Estado controla o trabalho (intelectual) docente por meio dessa racionalização da atividade pedagógica. Contudo, a questão é saber se o controle, numa perspectiva teleológica, é algo bom ou ruim do ponto de vista político, social ou mesmo ético.
               Dominação tradicional: aqui o poder é pessoal e necessariamente não tem um quadro administrativo-burocrático. Observa-se tal formato onde há a crença, quase que sagrada, nas ordens e na figura dos senhores. Quando ela é realizada por um membro mais velho da sociedade tem-se uma gerontocracia. Na existência de um quadro administrativo pode configurar, por exemplo, o patrimonialismo (direito de mando de um senhor). No modelo de dominação legal com quadro administrativo a posição de senhor é de exclusividade do dirigente através de apropriação, eleição ou designação (WEBER, 2000).
              Chegamos à dominação carismática: centrada nas qualidades pessoais de alguém, de um carisma, qualidades mágicas, ou mesmo vistas como sobrenaturais. Parece-nos que por parte de quem dominada há também a crença de que suas habilidades (poderes) são de ordem extracotidiana. Poder-se-ia dizer que a autoridade do carismático é pela “graça de Deus.” Weber também traz o problema da rotinização do carisma, fenômeno ocorrido quando um poder torna-se permanente.
Referência:
SELL, Carlos Eduardo. Sociologia clássica: Marx, Durkheim e Weber. 5. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2013.
WEBER, Max. Os Tipos de dominação. In WEBER, Max. Economia e sociedade. Fundamentos da sociologia compreensiva. Brasil: UNB, 4ª ed.; 2012, p. 139-167.





[1] Entendida como conteúdo da ordem e em nome dela  tornada a máxima de sua conduta (WEBER, 2000)