quinta-feira, 2 de agosto de 2012


Escola de Educação Básica São João Batista
Aulas da primeira semana de agosto
Terceiro Bimestre
Disciplinas: Filosofia e Sociologia
Turmas: Segundas e Terceiras
Professor: Paulo César de Carvalho Jacó
“Projeto Ágora”
Estamos num momento, socialmente falando, de muita relevância para a sociedade brasileira, em que todos os municípios estarão elegendo seus prefeitos e vereadores.  A política e seus entornos, sob a perspectiva de fato social, como diz Durkheim, ou sob a ótica de uma análise mais filosófica traz a exigência e a dignidade de temática (conteúdo) a ser debatida no espaço escolar. Diante de tal situação a escola não pode ficar indiferente, não pode perder a oportunidade, de forma ética, em abrir espaço para reflexão sobre questões políticas, temática presente em todo o itinerário histórico do pensamento filosófico e sociológico. Penso que de forma toda peculiar a filosofia e a sociologia tem uma tarefa de destaque em tal horizonte. Temos o desafio de fazer do ambiente escolar uma ágora, assim com nas cidades gregas clássicas, onde nossos alunos possam exercitar o protagonismo da discussão e da reflexão sobre questões pertinentes ao espaço público, numa abordagem filosófica e sociológica,  onde cada indivíduo, na relação com outros, vai se constituindo como cidadão aberto aos apelos da polis e em busca de um modo de vida  que  contemple o bem comum. Sendo assim, não deixando de ter consciência da peculiaridade do pensamento e das disciplinas de filosofia e sociologia, procuraremos tratar as questões do universo político, utilizando ambas as disciplinas, como espaço de possibilidades para a reflexão sobre tal temática, a partir da compreensão do sentido da ágora para os gregos, enquanto uma metáfora e paradigma de lugar de possibilidades de participação dos cidadãos nas questões políticas dentro da modernidade. Tentaremos fazer  algumas transposições, no intuito de perceber os espaços dentro da  sociedade atual (cidades)  onde os indivíduos desempenham (e como) o papel de cidadão, no sentido de participação nos processos de  debate sobre questões de interesse coletivo, aqui  dando destaque às questões políticas. 
Número de aulas da semana:
·         Segundos anos: 04 (filosofia e sociologia)
·         Terceiros anos: 03 (filosofia e sociologia)
Objetivo: Apresentar e discutir com aos alunos o sentido da Ágora, presente na Grécia antiga, como lugar de possibilidades e ponto de partida para reflexão sobre  questões públicas na sociedade atual, em suas formas específicas e contraditórias de organização do poder político.
Estratégias:
·         Trabalhos em pequenos grupos a partir de questões para reflexão
·         Leitura e interpretação crítica de textos
·         Uso de “ficha de leitura” acompanhando a leitura dos textos
·         Roda de Debate em grande grupo
Avaliação:
·         Avaliação a partir da produção da ficha de leitura realizada nos pequenos grupos
·         Avaliação coletiva (fichas de leitura) apresentada durante o debate pelo grupo
Conteúdos para serem trabalhados:
·         Ideia Central: O ESPAÇO SIMBÓLICO DA ÁGORA GREGA e suas representações/significações
·         Conceitos que aparecerão e estarão presentes durante todo o processo do projeto:
·         Ideia de Democracia: direta e indireta
·         Cidadania na Grécia antiga
·         Espaço: público x privado
·         Isonomia
Referência Bibliográfica:
·         A Ágora de Atenas: aspectos políticos,  sociais e econômicos Gláucia Rodrigues Castellan/Bacharel e Licenciada em História/USP/ http://www.klepsidra.net/klepsidra26/agora.htm
·         BOURDIEU, Pierre. O poder Simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998. 322p.
·         BOBBIO. Norberto. O futuro da democracia. São Paulo: Paz e Terra, 2000
·         CHAUÍ, Marilena. Brasil: Mito fundador e sociedade autoritária. Soa Paulo: Fundação Persus Abramo, 2001
·         COMPARATO, Fábio Konder. Ética: direito, moral e religião no mundo moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 2006
·         Espaço público e Espaço privado na constituição do social: Notas sobre o pensamento de Hannah Arendt; Tempo social; Rev. Social. USP, S. Paulo, Volume I
·         MACHADO,  Nilson José. Cidadania e Educação. São Paulo:Escrituras Editora, 1997
·         MARCONDES, Danilo. Textos básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittegensteis. 5ed. Revista. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007
·         O Ciberespaço Como ágora eletrônica na sociedade contemporânea. Ricardo Vianna Velloso. UEMG - http://www.scielo.br/pdf/ci/v37n2/a08v37n2.pdf
·         PUIG, Josep e outros. Democracia e participação escolar. São Paulo: Moderna, 2000.
·         MARTINS, J.S. Exclusão Social e a nova desigualdade. São Paulo: Paulus, 1997
·         Vila Nova, Sebastião. Introdução à sociologia. 6.ed.rev.São Paulo: atlas, 2006

segunda-feira, 30 de julho de 2012


Escola de Educação Básica São João Batista
Filosofia e Sociologia
“Projeto ÁGORA”
Questões para serem trabalhadas a partir do texto: “ÁGORA”
1.      Apresente o significado da palavra ágora.
2.      Segundo do texto qual a utilidade da ágora?
3.      Qual a forma de democracia na Grécia antiga?
4.      Quais eram as atividades desempenhadas na ágora?
5.      Qual o papel do mediador na ágora?
6.      Procure estabelecer uma relação de comparação da democracia grega com a democracia moderna.
7.      Havia alguma diferença dos povos que tinham ágora com os que não tinham?
8.      Qual o lugar que ocupava a ágora dentro das polis (cidade)?
9.      Aparece alguma relação das atividades desempenhadas na ágora com a questão ética/moral?
10.  Qual a opinião de Aristóteles sobre a possibilidade de remodelar a função da ágora?
11.  A ÁGORA TRAZIA A IDEIA DE QUE O PODER POLÍTICO NA SOCIEDADE GREGA TINHA QUAIS CARACTERÍSTICAS?
12.  Procure explicar as transformações que passaram as ágoras gregas e romanas.
13.  Em termos políticos (do debate sobre a polis) a ágora era lugar de qual sujeito?
14.  Quais seriam os espaços na sociedade moderna que poderíamos dizer que desempenham o papel de ágora, no que se refere ao aspecto político (debate, das deliberações) ou de outras questões?
15.  Em termos políticos qual a importância da ágora para a cidade?
16.  Poderíamos dizer que a ágora era o espaço público ou privado?
17.  Seria possível criar “espaços de ágoras” dentro da escola? Como?
Obs.:
·         Atividade será realizada em pequenos grupos
·         A avaliação será coletiva
·         O tempo máximo para a atividade é de duas (02) aulas da semana
·        O aluno (a) que perder uma aula (atividade) ficará sem nota.

ÁGORA
A Ágor  Ágora de Atenas: aspectos políticos, sociais e econômicos- Gláucia Rodrigues Castellan
Licencia História/USP/
glaucia@klepsidra.net / http://www.klepsidra.net/novaklepsidra.html
         Este artigo tem por objetivo mostrar o importante papel que a ágora de Atenas desempenhava como o espaço público mais visado e valorizado da cidade-estado grega. Era na ágora que as pessoas de uma mesma comunidade se relacionavam, elas saiam de dentro de seus oikos e iam se reunir nesse grande centro de circulação de produtos ideias e pessoas, ou seja, um ponto de reunião – independente de haver troca de bens -, era este o sentido que a ágora tinha.
           Esta “praça” pública se caracterizava como um espaço construído, permanente e fixo, que, tinha também um sentido político – era o lugar onde se deliberavam assuntos importantes para a vida dos cidadãos e da sociedade como um todo. Neste sentido, encontraremos uma contraposição entre os povos que tinham a ágora e os que não a tinham. Estes últimos eram considerados bárbaros, pois, na maioria das vezes, tinham como forma de governo a monarquia e, como tal, não deliberavam, pois, entendiam não ser necessária a discussão uma vez que apenas uma pessoa decidia por todas as outras.
              A palavra ágora se originou do verbo agorien, que no século VIII a.C significava discutirdeliberartomar decisões; mas com o passar dos séculos seu sentido foi mudando e já no século IV a.C agorien significava comprar. Dessa forma, o comércio pode ser definido na sua forma mais simples como uma circulação, uma transferência de bens. Entretanto, para que essa movimentação possa ocorrer, se faz necessário que haja pelo menos dois indivíduos envolvidos. Assim, cada pessoa leva seus produtos e havendo o interesse e a possibilidade eles trocam as suas mercadorias (essas trocas podiam envolver ou não dinheiro).
No entanto, se fazia necessária a existência de um espaço físico para que essa transferência de bens pudesse acontecer. Dois locais eram preferencialmente utilizados pelos antigos gregos para tal transferência: as ágoras e os portos. Estes eram dois espaços físicos em que se materializavam, se concretizavam as relações entre os homens. Na ágora, eram realizados diversos tipos de trocas, e no porto muitos tipos de materiais e objetos eram levados para serem transportados através da via marítima.
Na sua forma mais simples, a ágora pode ser definida como uma grande praça aberta utilizada para funções públicas. Era nesse local que um grande número de cidadãos se encontravam para diversas atividades, assembleias, festivais, eleições, competições atléticas, desfiles, mercados, e similares. Assim sendo, a ágora tornou-se o centro da polis, pois os edifícios públicos da cidade foram sendo construídos ao redor do lugar onde as pessoas frequentemente se encontravam.
            Podemos dizer que a ágora grega foi a precursora do fórum imperial romano, das grandes “piazzas” e praças das capitais da Europa. Ao redor dessa praça, acontecia um grande número de atividades religiosas, sociais, comerciais, judiciais, legislativas e administrativas, que tornaram a ágora o coração de uma cidade antiga. Dessa forma, assim como todas, a ágora de Atenas acomodava todos os aspectos da vida antiga.
As primeiras ágoras eram abertas para a comunidade e o acesso era livre. Havia uma tendência de se estabelecer esse “ponto de encontro” nas encruzilhadas ou nas principais vias da cidade.
             Em meio a todo esse “caos” urbano, a ágora surgiu como um espaço aberto que aos poucos foi se fechando, pois, com o passar do tempo a cidade antiga foi se organizando e esta passou a ter um tamanho delimitado de acordo com os quarteirões e o plano ortogonal. Esta ideia de um plano regular foi atribuído – na tradição clássica – a Hipodamo – natural da região de Mileto e, que teve seu auge em meados do século V a.C – Hipodamo surgiu como um reformador, um planificador e um teórico político utópico. Aparentemente, foi lhe concedida alguma oportunidade de aplicar as suas ideias no Pireu (porto de Atenas) e talvez ainda em outros sítios. No entanto, a resistência foi forte e, por algum tempo, com êxito. Tal resistência se devia ao fato de sua abordagem ser demasiado abstrata e formalmente matemática, pouco ligada ao terreno grego - muito irregular como habitualmente era - ou à maneira como os gregos viviam e funcionavam.
      A ágora era circundada por longas stoai, que nada mais eram do que largos pórticos abertos que protegiam o visitante do frio e do calor ao mesmo tempo em que traziam luz e ar. Além disso, as stoai preenchiam importante função social na vida da cidade, pois eram nesses locais que os cidadãos se encontravam para discutir negócios, política, ou filosofia.
Nos edifícios como a Stoa Real e a Stoa do sul I, estavam os responsáveis pela administração diária da cidade. Os legisladores atenienses diariamente se encontravam no Bouleuterion localizado em toda a extensão do lado oeste da praça. Já no Metroon estavam guardados os arquivos centrais. Os Forunsestavam localizados na parte nordeste e sul da praça; o que nos mostra uma conexão entre a ágora e o poder judiciário. Todos os dias aconteciam atividades comerciais nessa área nas formas de grandes mercados, em pequenas lojas particulares, nas ruas, e na própria praça.
        A ágora também servia com um importante centro religioso, juntamente com o Hephaisteion (templo localizado na colina oeste), a praça possuía um grande número de altares e pequenos santuários, muitos eram dedicados aos semideuses conhecidos como heróis. Como esses santuários estavam localizados justamente no centro da vida cotidiana, na maioria das vezes acabavam recebendo uma atenção mais regular do povo do que os grandes edifícios de culto erigidos pelo Estado na Acrópole.
Um bom exemplo disso ocorreu na reconstrução, após a invasão persa, quando os atenienses ocuparam-se primeiro da ágora, ignorando a Acrópole. A escolha foi sem dúvida, motivada pela urgência de restabelecer ordenadamente a vida cotidiana, talvez também devido a fundos limitados. Mas surge a tentação de ver igualmente uma razão psicológica, expressa numa citação conhecida e feliz de Aristóteles: (…) “‘Uma cidadela (acrópole) adequa-se a oligarquia e à legislação de um só homem, o terreno plano à democracia.’” [7] Em menos de uma geração, contudo, a posição modificou-se. A democracia triunfante, rica, auto suficiente e imperialista, governada por Péricles, voltou à Acrópole, que era um local venerável, fazendo dela não apenas o seu maior centro religioso, mas também o símbolo visível do poder e a da glória de Atenas.
De maneira geral, uma ágora típica era o ponto focal da vida pública de uma cidade-estado grega , o principal centro do comércio interno, aquele que se alimentava através das vias terrestres. Na ágora, cada negociante possuía seu lugar determinado e devidamente pago. Para entendermos melhor o movimento comercial no interior da ágora de Atenas, nos utilizaremos da magistral descrição de Gustave Glotz em História Econômica da Grécia:
 Entretanto, a ágora de Atenas tem um significado muito mais amplo, e diversos aspectos a diferenciam de outros grandes centros cívicos explorados até agora na Grécia.       
Isso se deve ao fato da proeminência da Atenas, pois a maior parte dos textos, da literatura e da história que foram preservados, são de origem ateniense e sua ágora serviu como palco e pano de fundo para muitos eventos significativos da história grega. Entre as muitas pessoas associadas com os maiores feitos da civilização grega clássica, muitas nasceram em Atenas e outras são provenientes de todo o Mediterrâneo, deram sua contribuição para um período notável de grandes realizações intelectuais e artísticas. Homens de Estado, autores de peças teatrais, historiadores e artistas, filósofos e oradores, como Tucídides, Ésquilo, Sófocles, Demóstenes, Fídias e Práxiteles, surgiram na Grécia nos séculos V e VI a.C., quando a mais poderosa cidade-estado de Grécia era Atenas. Juntos, estes homens foram responsáveis por plantar as sementes das civilizações ocidentais, e ambos frequentavam a ágora – que foi usada para performances teatrais, procissões religiosas, competições atléticas e desfiles. Sob a liderança de Sólon, Clístenes e Péricles, a instituição política da democracia também tem na ágora suas raízes. Mesmo quando a significância política, econômica e militar não era mais evidente, Atenas permaneceu como influência cultural e educacional por séculos, atraindo professores e alunos de filosofia, lógica e retórica até o século VI d.C.
Como vimos anteriormente, a ágora, antes do século IV a.C era um espaço físico onde as discussões aconteciam, era um local de culto e era um lugar de comércio. Ela não era uma ágora especializada. Isso nos mostra que nesse tipo de sociedade, as relações políticas, sociais e econômicas estavam inter-relacionadas. Não era a economia que regia a sociedade, mas a posição social do indivíduo em relação aos meios de produção. Os vários aspectos da sociedade se encontram misturados e eram inseparáveis.  No entanto, a partir do século IV a.C, as ágoras começaram a se especializar. Aristóteles considerava importante que houvesse essa especialização, para ele, o melhor seria que houvesse uma ágora para as discussões, outra para os negócios e uma terceira para o lazer. “Na Tessália, por exemplo, as diferentes funções da ágora (originalmente local de reunião da comunidade, antes de se tornar centro econômico) estão deliberadamente separadas: há uma ágora ‘livre’, reservada à atividade cívica e política e da qual está excluída qualquer função econômica. Esta última está concentrada numa ágora especial, a ágora comercial.”  Já Platão, nas suas Leis, prescreve que não se recebam os comerciantes estrangeiros senão fora da cidade, e que se tenha um mínimo de relação com eles. Encontram-se aqui, uma vez mais, velhos preconceitos, em parte dirigidos contra a atividade econômica enquanto tal, em parte contra o estrangeiro e tudo o que ele comporta como riscos de influências nefastas vindas do exterior.
Assim sendo, com  passar do tempo a ágora foi sofrendo transformações, se em época grega começou a se especializar, em época romana isso aconteceu de forma ainda mais intensa. Então teremos uma ágora para negócios, uma para política e outra para o lazer. Também em época romana teremos a ágora monumental - uma praça de propaganda política e de culto ao imperador. 
Em nenhum outro lugar foi encontrada uma história tão ricamente ilustrada como aquela que se tem na ágora. Na área aberta da grande praça, monumentos foram erigidos para comemorar os triunfos, ao seu redor, edifícios cívicos foram construídos para a administração da democracia, ao mesmo tempo, em que além dos seus limites, a ágora era repleta de casas e oficinas daqueles que faziam de Atenas a cidade mais proeminente da Grécia.
            A exploração arqueológica da ágora tem colaborado para uma compreensão maior não apenas de um lugar específico, mas sobre vários aspectos da civilização grega clássica. A cidade de Atenas nos fornece uma grande quantidade de material para o entendimento da ágora e de suas construções. Construções estas tão pobremente preservadas que muitas de suas ruínas mal podem ser observadas na superfície. No entanto, “fontes escritas nos descrevem a respeito de encontros e julgamentos ocorridos ali, apresentações de filósofos ou pinturas que decoram as paredes. São encontradas, em autores da antiguidade, inúmeras referências que mencionam especificamente a ágora e seus monumentos, e em nenhum outro lugar da Grécia as fontes enriqueceram tão bem o nosso entendimento sobre as ruínas.”