quarta-feira, 25 de novembro de 2015

EXERCÍCIO DE FILOSOFIA CONTENDO OS TEXTOS E AS QUATRO QUESTÕES PARA TERCEIRAS E SEGUNDAS SÉRIES DO ENSINO MÉDIO.



 Escola de Educação Básica S. J. Batista –  Professor: Paulo César de C. Jacó
Exercício de Filosofia
1.        O fortalecimento do Estado
Embora com freqüência utilizemos a palavra Estado para nos referirmos às instituições políticas da Antigüidade e Idade Média, trata-se de uma impropriedade, já que a palavra Estado só co­meça a ser empregada no Renascimen­to e Idade Moderna. (Na Grécia era usada a palavra polis, na Roma antiga e Idade Média dizia-se civitas.) Além da palavra nova, é também nova a reali­dade a que ela se refere: o Estado pas­sa a significar a posse de um território em que o comando sobre seus habitan­tes se faz a partir da centralização cada vez maior do poder. Dessa forma, só o Estado se toma ap­to para fazer e aplicar as leis, recolher impostos, ter um exército, atribuições estas que, por exemplo, na Idade Mé­dia, podiam ser exercidas também pe­los nobres em seus respectivos territó­rios. Aos poucos o Estado monopoliza os serviços essenciais para garantia da ordem interna e externa, o que exige o desenvolvimento do aparato adminis­trativo fundado em uma burocracia controladora.O Estado que surge como resultado da formação das monarquias nacionais é intervencionista e procura justificar o uso que faz da força por meio de diver­sas teorias absolutistas. Mas se existem teóricos que ainda sustentam o "direi­to divino dos reis" (Filmer e Bossuet), cada vez mais a legitimação do poder passa a ser buscada em critérios racio­nais (Hobbes), o que é típico das teo­rias contratualistas. (fonte: https://sites.google.com/site/professordiegoobonito/temas-de-filosofia---concepcoes-de-politica).
2.        As teorias contratualistas
Nos séculos XVII e XVIII a principal preocupação da filosofia política é o fundamento racional do poder soberano. Ou se­ja, o que se procura não é resolver a questão da justiça, nem justificar o po­der pela intervenção divina, mas colo­car o problema da legitimidade do poder. É por isso que filósofos tão diferen­tes como Hobbes, Locke e Rousseau têm idêntico propósito: investigar a ori­gem do Estado. Não propriamente a origem no tempo, mas o "princípio", a "razão de ser" do Estado. Todos par­tem da hipótese do homem em estado de natureza, isto é, antes de qualquer sociabilidade, e, portanto, dono exclusi­vo de si e dos seus poderes. Procuram então compreender o que justifica aban­donar o estado de natureza para cons­tituir o Estado, mediante contrato. Tam­bém discutem o tipo de soberania resul­tante do pacto feito entre os homens. Hobbes, advertindo que o homem natural vive em guerra com seus seme­lhantes, conclui que a única maneira de garantir a paz consiste na delegação de um poder absoluto ao soberano. Locke, como arauto do liberalismo, critica o absolutismo. Para ele, o con­sentimento dos homens ao aceitarem o poder do corpo político instituído não retira seu direito de insurreição, caso haja necessidade de limitar o poder do governante. Além disso, o Parlamento se fortalece enquanto legítimo canal de representação da sociedade, e deve ter força suficiente para controlar os exces­sos do Executivo. Rousseau vai mais longe ainda, atri­buindo a soberania ao "povo incorpo­rado", isto é, ao povo enquanto corpo coletivo, capaz de decidir o que é me­lhor para o todo social. Com isso de­senvolve a concepção radical da demo­cracia direta, em que o cidadão é ativo, participante, fazendo ele próprio as leis nas assembleias púbicas. Rousseau, na verdade, antecipa algumas das críticas que no século seguinte os socialistas fa­rão ao liberalismo. Denuncia a proprie­dade como uma das causas da origem da desigualdade e, ao desenvolver os conceitos de vontade geral e cidadania ativa, rejeita o elitismo da tradição bur­guesa do seu tempo. Além disso, as teorias contratualis­tas se baseiam em uma concepção in­dividualista da sociedade, o que é típi­co do pensamento liberal. A sociedade é compreendida como a somatória dos indivíduos, e o Estado tem por fim ga­rantir que os interesses particulares possam coexistir em harmonia. Esta concepção será criticada pelas teorias socialistas. Apesar das diferenças, o que exis­te em comum nas teorias contratualistas é a ênfase no caráter racional e laico (não-religioso) da origem do po­der. É o próprio homem que dá o con­sentimento para a instauração do po­der, reafirmando assim o valor do in­divíduo e do cidadão (fonte: https://sites.google.com/site/professordiegoobonito/temas-de-filosofia---concepcoes-de-politica)
2.1 A filosofia Política  em Hobbes
“Polemizando com a tradicional tese aristotélica, que via na sociedade o resultado de um instinto primordial, Hobbes sustenta  que no gênero humano, diferentemente do animal, não existe sociabilidade instintiva.  Entre os indivíduos não existe um amor natural, mas somente uma  explosiva mistura de temor e necessidade recíprocos que, se não fosse disciplinada pelo Estado, originaria uma incontrolável sucessão de violências e excessos. Precisamente porque o contrato de fundação de toda sociedade humana tem caráter artificial, faz-se necessário que o Estado seja absoluto, soberano e poderoso, capaz de suprimir qualquer tentativa de fazer prevalecer o interesse pessoal” (NICOLA, 2005, p. 236).
2.2 A filosofia Política  em John Locke
“Sendo os homens, conforme acima dissemos, por natureza, todos livres, iguais e independentes, ninguém pode ser expulso de sua propriedade e submetido ao poder político de outrem sem dar consentimento. A maneira única em virtu­de da qual uma pessoa qualquer renuncia á liberdade natural e se reveste dos laços da sociedade civil consiste em concordar com outras pessoas em juntar-se e unir-se em comunidade para viverem em segurança, conforto e paz umas com as outras, gozando garantidamente das propriedades que tiverem e desfru­tando de maior proteção contra quem quer que não faça parte dela. Qualquer número de homens pode fazê-lo, porque não prejudica a liberdade dos demais; ficam como estavam na liberdade do estado de natureza. Quando qualquer nú­mero de homens consentiu desse modo em constituir uma comunidade ou governo, ficam, de fato, a ela incorporados e formam um corpo político no qual a maioria tem o direito de agir e resolver por todos. (...) o poder legislativo não pode transferir o poder de elaborar leis a outras mãos quaisquer; porquanto, sendo tão-só poder delegado pelo povo, os que o têm não podem transferi-lo a terceiros. Somente o povo pode indicar a forma da comunidade, a qual consiste em constituir o legislativo e indicar em que mãos deve estar. E quando o povo disser, sujeitar-nos-emos a regras e seremos go­vernados por leis feitas por estes homens, e, dessa forma, ninguém mais pode­rá dizer que outros homens lhes façam leis; nem pode o povo ficar obrigado por quaisquer leis senão as que forem promulgadas pelos que escolheu e auto­rizou a fazê-las. Sendo o poder do legislativo derivado do povo por concessão ou instituição positiva e voluntária, o qual importa somente em fazer leis e não em fazer legisladores, o legislativo não terá o poder de transferir a própria auto­ridade de fazer leis, colocando-a em outras mãos. O motivo que leva os homens a entrarem em sociedade é a preservação da propriedade; e o objetivo para o qual escolhem e autorizam um poder legislati­vo é tornar possível a existência de leis e regras estabelecidas como guarda e proteção às propriedades de todos os membros da sociedade, a fim de limitar o poder e moderar o domínio de cada parte e de cada membro da comunidade; pois não se poderá nunca supor seja vontade da sociedade que o legislativo pos­sua o poder de destruir o que todos intentam assegurar-se entrando em socie­dade e para o que o povo se submeteu a legisladores por ele mesmo criados.  (LOCKE, John. Segundo tratado sobre o governo, Col. Os pensadores. São Paulo, Abril Cultural, 1973. p. 77, 96 e 127 – Acesso: 22/11/2015 - https://sites.google.com/site/professordiegoobonito/temas-de-filosofia---concepcoes-de-politica).
3.        Características do liberalismo
As teorias liberais defendem o Es­tado laico, recusando a intervenção da Igreja nas questões políticas. De­fendem a economia de mercado, segun­do a qual existe um equilíbrio natural decorrente da lei da oferta e da procura, o que reduz a necessidade de inter­venções (teoria do Estado mínimo). A economia de mercado supõe ainda a defesa da propriedade privada dos bens de produção e a garantia de funciona­mento da economia a partir do prin­cípio do lucro e da livre iniciativa, o que valoriza o espírito empreendedor e competitivo. Desde o início, o liberalismo defen­de a existência do Estado laico e não-intervencionista. Estado laico porque não se identifica com nenhuma confissão religiosa nem deseja qualquer interferência da Igreja nos assuntos políticos. Em contrapar­tida, o Estado também não deve inter­ferir nas crenças pessoais, fazendo pre­valecer o ideal da tolerância depois das sangrentas guerras religiosas do sécu­lo XVI. Estado não-intervencionista, porque cri­tica o controle que as monarquias absolutistas exerciam sobre a economia, cuja expressão era o monopólio estatal típico do mercantilismo. Tais alterações provocam a nítida se­paração entre o público e o privado, ou se­ja, entre os assuntos do Estado (que de­ve se ocupar com a política, isto é, com as questões da esfera pública) e os da sociedade civil (setor das atividades particulares, sobretudo econômicas). Ao mesmo tempo, são criadas insti­tuições para que os cidadãos possam ter voz ativa nas decisões políticas. Daí o fortalecimento do Parlamento, órgão por excelência de representação das forças atuantes da sociedade e capaz de ini­bir os excessos do poder central. A de­fesa da origem parlamentar do poder significa a superação das antigas teorias de que o poder vem de Deus ou da tra­dição familiar, já que o voto significa o livre consentimento do cidadão. Para manter a ordem é fundamental o equi­líbrio dos três Poderes — o Executivo, o Legislativo e o Judiciário —, tese de­senvolvida pela primeira vez por Mon­tesquieu. As alterações nas instituições cons­tituem passo significativo para superar o poder absoluto em direção à demo­cracia e transformar o súdito em cida­dão. Mas é preciso não esquecer que por muito tempo o liberalismo continua sendo uma concepção elitista do poder, já que só os proprietários são conside­rados cidadãos totais, com direito ao voto e à representação. Apenas recen­temente conquistou-se o sufrágio uni­versal, o que também não significa por si só garantia para se evitarem os pri­vilégios. (Consultar o Cap. 13, A demo­cracia). A consciência liberal também foi marcada pela valorização do princípio da legalidade: as diversas Declarações de Direitos proclamam a igualdade peran­te a lei; institui-se o habeas corpus a fim de evitar prisões arbitrárias; teóricos como o italiano César Beccaria defendem o abrandamento das penas cruéis. Além disso, as Declarações de Direi­tos exigem garantia das liberdades in­dividuais de pensamento, crença, ex­pressão, reunião e ação, desde que não sejam prejudicados os direitos de ou­tros cidadãos. Deriva daí a concepção tradicional de liberdade, segundo a qual "a liberdade de cada um vai até onde o permite a liberdade do outro". Trata-se do fundamento individualista típico do pensamento burguês; a lógica do mercado é que, se cada um desenvol­ver bem o seu trabalho, haverá natural seleção dos melhores, que formarão as elites de cuja capacidade empreende­dora resultarão benefícios para o todo social (fonte: https://sites.google.com/site/professordiegoobonito/temas-de-filosofia---concepcoes-de-politica).
Questão:
1.        Procure retirar três princípios referentes à vida política de cada texto.
2.        Estabeleça uma síntese de cada texto.
3.        Procure elaborar duas questões a partir de cada texto acima.

4.        Quais são as considerações a que se pode chegar depois da leitura dos textos acima? 

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Análise do Filme Equilíbrium
Sociologia e Filosofia


Análise do Filme Equilibrium



SINOPSE
        Dirigido por Kurt Wimmer. Com Christian Bale, Emily Watson, Taye Diggs. Gênero: ficção científica,  suspense  e  ação. Nacionalidade: EUA.

        Nos primeiros anos do século XXI aconteceu a 3ª Guerra Mundial.  Aqueles que sobreviveram sabiam que a humanidade jamais poderia suportar a uma 4ª guerra e que a natureza instável dos humanos não poderia  mais prevalecer.
       Então um segmento da lei foi criada, o Clero Grammaton, cuja única tarefa é procurar e aniquilar a real fonte de crueldade entre os seres humanos: a capacidade de sentir, pois acredita-se  que os fatores emotivos foram culpados pela destruição  das sociedades do passado. 
       Desta forma existe a implantação de um Estado Totalitário, a Libria, que é comandado pelo "Pai", que só aparece através de imagens em telões. Foi decretado que os cidadãos devem tomar diariamente uma droga que nivela  a manifestação emocional. As formas de expressão criativa estão contra a lei, sendo que ao violar qualquer regulamento a não-obediência é punida com a pena de morte. John Preston (Christian Bale) é um Grammaton (sacerdote), um oficial da elite da lei, que caça e pune os "ofensores", além de ter autoridade para mandar destruir qualquer obra de arte. Um dia, acidentalmente, Preston não toma a droga. Pela primeira vez ele sente emoções e começa a fazer questionamentos sobre a ordem dominante e o sentido de inibir os sentimentos.


ASPECTO SOCIOLÓGICO DO FILME
  
     A desordem e a desigualdade social ao longo da história foi constituída pelo homem devido a necessidade de se sobrepor em relação aos outros homens. 
Thomas Hobbes, pensador inglês defendia a criação de um Estado Artificial para defender os indivíduos de suas próprias barbaridades e vicissitudes (o homem é o lobo do homem).

 Diria ainda Hobbes relacionando agora com o filme, que o conflito e a guerra são inerentes à natureza humana. A emoção, os instintos, os sentimentos, os prazeres levam a humanidade a uma busca desenfreada pelo hedonismo e por sensações terrenas transbordantes. 
     O filme enfatiza justamente a necessidade de neutralização dos sentimentos humanos, pós-catástrofes provocadas pela disputa, ganância, competitividade, egoísmo exacerbado, consumismo padronizado. No entanto, sentir é uma capacidade que nos torna expressivos, inventivos, diferentes, capazes. Se por um lado, a  disciplina e a obediência são essenciais para o controle da ordem estabelecida e por tanto da erradicação de várias ações destrutivas que estão cada vez mais frequentes na nossa realidade, por outro superficializa-se as relações amorosas e familiares. Pergunto se não é o que está realmente acontecendo hoje. Estamos nos virtualizando. Erguemos novas estruturas de controle dos escombros da anterior. Verifica-se no filme a força de organizações religiosas (clero), seus agentes executores, defensores da ordem (sacerdotes) e os hereges (ofensores). Creio que além de leis mais eficazes e severas necessita-se que as mesmas sejam verdadeiramente cumpridas indiscriminadamente. O respeito não deve ser imposto como em Equilibrium, mas sim conquistado. A emoção definitivamente é vital!


Análise Psico-Filosófica

As teorias para análise psico-filosófica aqui usadas serão a Dialética e AntiDialética, duas linhas de pensamento diferentes que são muito bem retratadas ao longo do filme, espero que aproveitem.
Equlibrium se inicia por uma das cenas mais impactantes do longa metragem, que é a destruição de um dos maiores símbolos da arte, o quadro de Lonardo Da Vinci: Monalisa (Gioconda).  O personagem principal John Preston da a ordem de destuição da obra, dando a entender que nenhum meio que nos possibilite perceber o belo continue a existir, dando inicio a uma visão "anti-emocional" da vida, onde é proibido contemplar a beleza da existência humana. Para explicar de maneira mais produtiva, será usada a visão dialética, que aqui será retratado de uma maneira diferente de determinadas teorias filosóficas.

O pensamento dialético é aquele em que raciocinamos de uma maneira mais lógica, procurando resultados exatos, não tendo interferência da emoção e dando mais voz a razão. É um pensamento Consciente  que utilizamos   para alcançar nossos objetivos de uma maneira mais óbvia e lógica. Infelizmente é o pensamento mais usado para educar jovens e crianças no sistema educacional, esse  tipo de pensamento não deixa de ser uma pensamento necessário, pois a capacidade interpretar determinadas situações de maneira mais lógica  é realmente importante, mas o grande erro é torná-lo  a ferramenta principal dos pensamentos e ideias.
Equilibrium retrata com perfeição como nos tornaremos se continuarmos a dar seguimento a esse pensamento frio e insensível. Nas cenas seguintes é mostrada como seria a nossa sociedade no futuro com o pensamento dialético imperando sobre todos

A sociedade LIBRIANA (uma Sociedade que não sente), demonstra como viveremos, o que ouviremos, o veremos e como seremos todos iguais, andando com as mesmas roupas, os mesmos cortes de cabelo, as mesmas expressões faciais, e incrivelmente frios. Mostra que sentir se tornou uma doença com os sintomas de ódio, raiva, fúria e guerra. 




 É revelado o que seria o instrumento que será denominado como a "CURA" para essa doença, o PROZIUM.
 Essa é a personificação do instrumento que ira nos controlar, dando um suposto  equilíbrio da mente e do corpo, produzindo uma falsa ideia de "PAZ". Esses ideais serão sustentados pelos argumentos de que nos tornamos vitoriosos por termos "vencido" as diferenças e a nossa própria natureza humana.

John Preston (Christian Bale) que faz parte da organização Tetragrammaton que luta contra a Resistência ( grupo que luta contra a lei de não sentir e que ainda cultivam as emoções.) demonstra que nem mesmo a amizade tem mais valor emocional, que é apenas uma mera palavra de um sentimento que a maioria das pessoas hoje nem fazem ideia do que significa quando ele mesmo mata seu amigo mais próximo.

Antes de John matá-lo é recitada uma poesia de um livro que seu amigo tem em mãos, que diz:


  "Mas eu sendo pobre, tenho apenas meus sonhos
Lancei meus sonhos sobre seus pés
Caminhei suavemente
Pois você pisou nos meus sonhos."
 Essa poesia pode ser interpretada dizendo, que nós, mesmo estando pobres de materiais, ainda temos os nossos sonhos, que sempre são voltados de sentimentos e emoções e que se confiarmos esses mesmos sonhos a nossa sociedade, ela poderá pisar em cima deles, destruindo-os e nos fazer caminhar e viver de acordo com suas leis impostas.

 Em seguida é mostrada a esposa de Preston sendo presa na sua frente, nos fazendo intender que nem mesmo o sentimentos mais forte, mais sublime, mais belo e mais importante de todos conseguira sobreviver, que é o Amor. O amor que deveria existir entre pai e filho também será destruída, e essa é a representação das cenas em que o Filho de Preston o trata com total frieza como se fosse alguém superior a ele. Essa não é uma mera ficção, se formos observar, vamos perceber que essa é uma realidade em que já estamos vivenciando. Pais e filhos, hoje são estranhos uns para os outros, não conhecem seus medos, seus sonhos, suas vontades, o que realmente pensam e imaginam para si e para os outros. Cada vez mais crianças e jovens são educados a se tornarem máquinas  repetidoras de ideias e não grandes pensadores que amam solenemente a vida e suas famílias, e que se continuarmos a educar com os pensamentos dialéticos e linear, apenas iremos piorar essa situação e assim não irá demorar para que a ficção de um filme vire uma grande realidade para nós.

     A cena onde se demonstra as ideias do pensamento AntiDialético (Multiangularl) é a onde o personagem principal é interrogado por sua própria prisioneira, que lhe pergunta o por que dele estar vivo  e o propósito de sua existência. Ele da uma respota totalmente Dialética e linear, dizendo que estava vivo para servir e dar continuidade a sociedade Libriana, essa é uma resposta que o gorverno Libriano quer que seus servos dem, e si refletirmos por alguns minutos, vamos perceber que nossa sociedade e governos realmente querem que pensamos apenas dessa forma, uma forma que não crítica sua própria sociedade e que apenas trata tudo com frieza.
Mas a personagem lhe responde que o propósito de nossas vidas é SENTIR, mostrando que nascemos com o objetivos de sentir emoções, sejam elas boas ou ruins. É algo tão fundamental quanto respirar e que se deixarmos de sentir, apenas estaremos vivendo por viver, sem nenhum propósito. Esse é exatamente o sentido do pensamento Anti-dialético. Usamos esse tipo de pensamento consciente para decifrar as emoções, aspirações, sensações complexas, para imaginar, fantasiar e produzir imagens mentais. É esse pensamento que nos possibilita enxergar uma situação dos mais diversos ângulos e focos, por isso também é chamada de pensamento multiangular. É ele que nos permite enxergar as belezas e fascinações que a vida pode propiciar. Mas é justamente esse pensamento que nossas sociedades vem tentando extinguir.

 Ao longo do filme o personagem John Preston descobre o quanto é belo e magnífico poder Sentir. Ele encontra a Resistência, e eles explicam que as emoções tem um preço, e sem moderação, sem controle, as emoções são um caos, transformando o mundo em um lugar cheio de seres frios, insensíveis, intolerantes, doentios, neuróticos e tiranos.

(Por: Marcio Araujo & Mayke C. Cardoso)

Referencias:Teoria Filosofica de Thomas Hobes
Livro de Augusto Cury: O Código da Inteligencia


                                                                    SOCIALIZAÇÃO

FILME:  "O GOTO SELVAGEM"
DISCIPLINA: SOCIOLOGIA
França - PGL - [José Paz Rodrigues] Um dos diretores de cinema mais interessantes de toda a filmografia mundial, a respeito da realização de filmes de temática educativa, foi sem dúvida o francês François Truffaut (1932-1984). Da sua autoria já comentei na minha série os filmes “Na idade da inocência” e“Fahrenheit 451”. No futuro hão ter cabida outros dos seus filmes pedagógicos como “Os quatrocentos golpes” e “Beijos roubados”.

O filme que comento hoje, “O menino selvagem” (intitulado no Brasil como “O garoto selvagem”), é um filme esplêndido em todos os sentidos, tanto nos aspetos formais, como nos seus conteúdos, e, sem dúvida alguma, um dos filmes pedagógicos mais extraordinários de quantos se tenham realizado. Uma genial obra-mestra, baseada ademais em factos reais que no seu dia aconteceram numa povoação da França.
Um dos maiores desafios da educação em todos os tempos é a educação de crianças em situação de total ou parcial marginalidade. Ainda é hoje o dia que continuam a aparecer em bastantes países civilizados, crianças que pelo seu abandono, maus tratos, isolamento ou encarceramento, têm todas as caraterísticas das crianças selvagens, já classificadas e estudadas no seu momento pelo sueco Linneo (1707-1778). O interesse de expertos, médicos, psicólogos e pedagogos em socializar estas crianças é um fenómeno comum em todo o mundo. Esta dúvida atormentou sempre os filósofos e outros profissionais preocupados pela condição humana, espertando o interesse desde o século XIX. Para que o homem selvagem não provocasse medo e se convertesse num ser aceitável socialmente falando, foi necessária a intervenção da ficção, a criação de um herói como Tarzan, capaz de conservar a sua humanidade, enquanto desenvolvia ao mesmo tempo um corpo atlético e conseguia os sentidos similares aos dos animais. Truffaut, com este seu filme, em que também faz de ator, interpretando magistralmente o Doutor Itard, que reeduca o menino selvagem protagonista, com estratégias didáticas muito acertadas, faz-nos entrar na problemática educativa das crianças abandonadas, da mão do cinema, animando-nos também a pesquisar a partir do filme sobre os fundamentos históricos do mesmo, os seus protagonistas reais e sobre outras situações similares. Empregando técnicas procedentes de campos muito diversos, como o uso da voz em “off” do documentário ou os fechamentos do íris do cinema mudo, o diretor galo propôs com este seu formoso filme a substituição do “Homem Natural” que defendiam as teses rousseaunianas pelo “Homem Moral”, forjado a partir dum longo processo integrador e dotado dum senso da justiça inquestionável. Esta proposta, cheia de signos e chaves muito bem elaboradas, deixa entrever alguns detalhes da biografia do seu autor, marcada por uma infância difícil e a superação através do cinema.
O médico-pedagogo Jean Itard lutou para inserir o menino selvagem encontrado, a que foi posto o nome de Vítor de l´Aveyron, na sociedade francesa de inícios do século XIX, conseguindo ser seu mentor e acreditando perante o reconhecido psiquiatra Pinel, que Vítor poderia chegar a ser civilizado e independente. Os escritos de Itard sobre este caso foram utilizados por Truffaut para realizar este filme. A figura de Vítor, nesta fita cinematográfica, reflete exatamente o fascínio que os “selvagens” exercem sobre os “civilizados” e propõe o debate sobre como os educar. Os métodos didático-educativos que Itard utilizou, apresentam-se muito bem neste filme, fazendo Truffaut, o diretor-ator, de educador representando o grande psicopedaogo francês. As estratégias didáticas usadas baseiam-se nos princípios de imitação, condicionamento e modificação da conduta e do comportamento. Que naquela altura foram uma autêntica vanguarda pedagógica e provocaram a criação e invenção de muitos métodos de ensino que ainda hoje continuam a utilizar-se. De tal modo, que Itard depurou as técnicas que tinha usado com Vítor, convertendo-se num pioneiro da educação especial. O menino selvagem atingiu um progresso notório: aprendeu o nome de muitos objetos e pôde ler e escrever frases simples, expressar desejos, seguir ordens e intercambiar ideias. Demonstrou afeto, especialmente para a ama de casa de Itard, a senhora Guérin, ao mesmo tempo que emoções de orgulho, vergonha, remordimento e desejo de comprazer. Porém, para além de alguns sons vocálicos e consonânticos, nunca aprendeu a falar e mantinha-se sempre totalmente centrado nas suas necessidades e desejos e, como admitiu o próprio Itard no seu relatório final, nunca pareceu perder a sua viva morrinha “pela liberdade do campo aberto e a sua indiferença à maioria dos prazeres da vida social”.
Este filme é ideal para ser projetado a alunos dos estudos de formação inicial do professorado, tanto das especialidades de educação infantil, primária e especial, como dos de psicologia evolutiva e da conduta, sendo muito importantes as estratégias didáticas que se podem ver nas diferentes cenas. Amostra também o importante que é a socialização para que as crianças possam conseguir a sua educação plena. E pode servir para debater os diferentes modelos educativo-psicológicos e as ideias pedagógicas rousseaunianas, que tanta influência tiveram nos movimentos pedagógicos de finais do século XIX e primeiras décadas do século XX.
Ficha técnica do filme:
Título original: L´enfant sauvage (O menino selvagem / O garoto selvagem / El pequeño salvaje).
Diretor: François Truffaut (França, 1969, 85 min., Branco e Preto).
Roteiro: F. Truffaut e Jean Gruault, baseado na Mémorie et Rapport sur Victor de l´Aveyron de Jean Itard (1806).
Fotografia: Néstor Almendros. Música: António Vivaldi, com peças interpretadas por Antoine Duhamel.
Produtora: Les Filmes du Carrosse e Les Artistes Associes. Montagem: Agnés Guillemot.
Intérpretes: François Truffaut (Dr. Jean Itard), Jean-Pierre Cargol (Vítor de l´Aveyron), Françoise Seigner (Mme Guérin), Paul Villé (o velho Rémy), Jean Dasté(Philippe Pinel), Claude Miller (Sr. Lémeri), Annie Miller (Mme Lémeri), Mathieu Shiffman (Mathieu), René Levert (Comissário), Pierre Fabre (enfermeiro), Nathan Miller (o bebé Lémeri), Jean Mondaroux (o médico de Itard).
Prémios: Espiga de Ouro no Festival de Valhadolid (1970), melhor filme do Sindicato dos Críticos da França (1971), Melhor fotografia na National Society of Film Critics Awards USA (1971) e melhor filme estrangeiro e melhor diretor no National Board of Review (1971).
Argumento: Cantão de São Sernin, França, 1798. Três caçadores acham uma criança selvagem, que possui 11 ou 12 anos. Ele é apelidado de Selvagem de Aveyron, sendo que se alimenta de grãos e raízes, não anda como um bípede nem fala, lê ou escreve. O professor Jean Itard se interessa pelo menino, que é levado a Paris para determinar o seu grau de inteligência e ver como se comporta a mentalidade de um menino que desde cedo foi privado da educação, por não conviver com ninguém da espécie. Itard começa a educá-lo. Todos pensam que ele vai fracassar, mas com amor e paciência aos poucos obtém resultados. O filme narra a história deste garoto do final do século XVIII que supostamente nunca teve contacto com a sociedade, não anda como os seres humanos, nem fala, lê ou escreve. Ele é resgatado com cerca de doze anos de idade e passa a ser objeto de estudo de um professor ávido pelo conhecimento da condição humana.
O filme baseia-se em factos verídicos. E que o mesmo possuía uma linguagem totalmente rudimentar e antissocial, por ter sido afastado da sociedade, por um longo período, e que afetou o seu nível intelectual, já que no período em que ele poderia ter sido socializado, e assim atingindo uma linha de raciocínio funcional, era a sua idade em desenvolvimento. O rosto e as mãos do rapaz estavam cheias de cicatrizes quando apareceu todo nu, trepava pelas árvores, corria a quatro pés, bebia nos regueiros e procurava landres e raízes para comer. A fame levava-o a procurar alimento nas quintas rurais. Quando o recolheram não falou nem respostou para fazer-se entender. Porém, reagia de imediato diante do som das polas ao romperem ou perante os ladridos dos cães. Não aceitava os alimentos cozidos e preferia as batatas cruas que atirava ao fogo e recuperava rapidamente com as suas mãos nuas, devorando-as quando ainda queimavam. Como um animal acostumado a viver na selva, o rapaz parecia insensível ao frio e ao calor extremos, e rasgava a roupa com que a gente tratava de abrigá-lo. Parecia evidente que tinha perdido os seus pais desde muito pequeno ou que o tinham abandonado, mas isto era difícil sabê-lo, por ter passado bastante tempo. A sua aparição foi um fenómeno intelectual e social, num momento em que uma nova perspetiva científica nasce disposta a substituir as especulações mais místicas. E é agora quando aparece o grande psicopedagogo doutor Jean Itard. Que acolhe o rapaz na sua casa e inicia a sua reeducação, com estratégias muito inovadoras, amostradas brilhantemente no filme.
O ser humano é aquilo que a educação dele faz:
O filósofo Inmanuel Kant no seu livro Sobre a Pedagogia (1776-77) chegou a dizer acertadamente: “O homem não se pode tornar um verdadeiro homem senão pela educação. Ele é aquilo que a educação dele faz”. No mundo pré-moderno, éramos salvos pela religião; no mundo moderno, somos salvos pela educação. Mais da educação do que pela saúde. Esta é a base da nossa cultura. Kant era um homem do seu tempo e refletia as condições da sua época, que acreditava na força das ideias através de uma educação cosmopolita.
Quando foi encontrado e acolhido, o menino de Aveyron acabou sendo enviado para uma instituição de surdos e mudos, porque não se comunicava e parecia não entender o que se lhe dizia. Jean Itard, médico humanista inspirado principalmente em Condillac, foi indicado para cuidar do caso. O Doutor Itard, ao contrário de Pinel, entendeu que seria um caso que a educação resolveria, bastando para isto adotar um método pedagógico que iria despertar a inteligência no rapaz. Por isto, otimista, resolveu “batizar” o menino com o nome de “Vítor”, porque tinha certeza da vitória do conhecimento sobre a natureza. O menino passou a ser conhecido a partir daí como Vítor de l´Aveyron. Contando com o auxílio de uma cuidadora, a senhora Guérin, paga pelo Estado, Itard pôs-se a educar o menino, começando por acostumá-lo às roupas, depois à convivência social, contacto com a música, para finalmente aprender a falar e expor as suas ideias. As metas pedagógicas que Itard estabeleceu para a educação de Vítor foram cinco: interesse pela vida social, despertar a sensibilidade nervosa, ampliar a sua esfera de ideias, levar ao uso da fala e exercitar as operações da mente, utilizando uma metodologia didática intuitiva e ativa.
No filme o próprio Truffaut interpreta o papel do doutor Itard. As bases das estratégias didáticas deste utilizadas no ensino do menino selvagem foram tomadas da obra Tratado sobre as sensações (1754) do filósofo francês Condillac (1715-1780) e consistiam em primeiro lugar na ambientação, respeitando as vontades do menino, que andava nu, comia quando queria e dormia pelos cantos. Em segundo lugar, procurava desenvolver o espírito e a atenção através de estímulos enérgicos. Em terceiro lugar, pretendia alargar no menino a esfera das ideias. Neste caso, é formosa a estratégia e brincadeira utilizada de que o rapaz possa encontrar objetos escondidos, amplamente explorada visando exercitar a atenção e a memória (auditiva e visual). Em quarto lugar, o mais importante para o psicopedagogo era que o menino alcançasse a capacidade de falar, levando-o ao uso da palavra, através da imitação pela necessidade criada, por exemplo, de pedir leite, bebida muito apreciada por Vítor. Em quinto lugar, exercer sobre os objetos da sua experiência imediata, as operações mais simples e posteriormente, determinando-lhe a aplicação aos objetos de ensino, isto é, com cousas que não tivessem relação com as necessidades imediatas.
Este formoso filme não se esgota no facto de reproduzir um documento através do cinema. Pelo contrário, é ao mesmo tempo um documento do diretor Truffaut, que encarna o papel do educador Itard, e o faz até o ponto de alcançar uma identificação quase total com ele. Não se requer outra cousa da criança selvagem que a compreensão de seu papel, que se descreve por meio das ordens que lhe dá o pedagogo. Estas são, ao mesmo tempo, as instruções do diretor. O comentário justifica ambas: o seu papel é de uma “pessoa civilizada” e Truffaut mesmo escreve ao respeito: “O filme enumera uma série de exercícios que Itard lhe faz ao rapaz para educar o seu ouvido, os seus olhos, os seus sentidos… Deveria ser possível seguir estes exercícios. Ao princípio de cada exercício o público deveria saber que pretende conseguir o Dr. Itard com a criança, para compreender assim o desenlace e poder segui-lo com interesse de um ponto ao outro”. Desta maneira transforma-se num filme em certa medida posto em cena em vivo diante dos olhos dos espetadores.
A educação do menino selvagem é ao mesmo tempo aquela educação que ainda persegue o ideal de que o homem pode ser livre e desenvolver-se em forma autónoma. As teses de Itard foram no seu tempo uma antítese das dos pedagogos e filósofos da educação que sucederam a Rousseau. Estes pensavam que cada pessoa era “boa” por natureza, e não lhe davam importância ao facto de que o ser humano deve ser sociável e estar liberado do isolamento. Meta a que se deve tender, transformando a comunicação num processo consciente, extraindo-a da inconsciência própria dos animais: Ouve-nos sem nos escutar. Olha-nos sem nos ver”, comenta Itard, e com essa afirmação desmente o professor Pinel, diretor do instituto educativo estatal, que tinha dito: “Ainda é um animalzinho”“Ninguém o viu chorar ainda”, diz Itard. O rosto do rapaz, que a miúdo sai em primeiros planos do filme, trata de reconhecer o mundo, com o qual não pode identificar-se. Não compreende o conteúdo dos termos que deve aprender: martelo, chave, livro…, agás o de leite, mais próximo à sua experiência animal.
É evidente que Truffaut compartilha o pensamento de Itard de que só através da sociedade, da afinidade e do amor e trato carinhoso, o homem se torna homem. E que só por meio da educação está em condições de aprender. É muito significativo o momento em que o rapaz é castigado encerrando-o num quarto escuro. Vítor então tem uma reação “humana”, registada de forma dual, e Itard diz, triunfante e triste ao mesmo tempo, no seu diário: “Hoje Vítor chorou pela primeira vez”. Mais importante é quando consegue adquirir o sentido moral do bom e o mau, depois de que o educador o submeta a uma injustiça, ao castigar no lugar de premiar uma acertada ação do rapaz. Vítor reage mesmo mordendo a mão do seu mestre e este escreve: “Era a prova incontestável de que o sentimento do justo e o injusto, cimento perdurável de toda a ordem social, não era já estranho ao coração do meu educando; provocando nele o seu desenvolvimento e elevando-o à altura do homem moral, pelo mais privativo dos seus carateres e o mais honroso dos seus atributos”.
Temas para debater, refletir e elaborar:
Depois de ver o filme, seguindo a técnica de dinâmica de grupos do “Cinema-fórum”, analisar os aspetos formais de tipo fílmico empregados por Truffaut (planos, movimentos de câmara, truques...). E também debater sobre os carateres das principais personagens, as atitudes e comportamentos das mesmas, a importância do inato e do adquirido, comparar com situações atuais, contar casos parecidos no entorno e comentar as opiniões e atuações pedagógicas de Jean Itard, representado por Truffaut como ator.
- Elaborar uma monografia, com textos e imagens, recolhendo informações em livros, revistas e na Internet, sobre outras crianças selvagens, marginadas e abandonadas aparecidas ao longo da história: o menino lobo de Hesse (1344), a menina esquimó de Chalons-sur-Mame (1731), as meninas Amala e Kamala de Medinipur-Índia (1920), a menina turca que vivera oito anos com ursos (1937), a criança-gazela francesa (1971), a menina portuguesa de 9 anos que vivera fechada num galinheiro (1981), Peter de Hannover (1724), Tomko da Hungria (1767), Gaspar Hauser de Nuremberg (1828), sobre o que Werner Herzog realizou um formoso filme que comentaremos no seu momento, a criança-gazela da Síria (1946), o menino-macaco de Teerã (1961) e a rapariga Genie dos Estados Unidos da América (1970). Com toda a documentação encontrada, com fotos, retalhos de imprensa, textos e desenhos livres alusivos, poderia organizar-se uma mostra ou exposição nos estabelecimentos de ensino.
- Seguindo a técnica de dinâmica de grupos do “Livro-fórum”, depois de nos comprometermos todos, alunos e professores, a ler o Diário e memória sobre Vítor de l´Aveyron, escrito por Jean Itard, e o Tratado sobre as sensações escrito em 1754 por Condillac, organizamos um amplo debate-papo sobre a importância da socialização para conseguir uma educação completa. Também sobre as estratégias didáticas mais adequadas a utilizar nas aulas, acompanhadas de um trato amoroso, motivador e estimulante, como o que aparece no filme que comentamos hoje.
José Paz Rodrigues académico da AGLP, didata e pedagogo tagoreano.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Atividade de Sociologia - 2015
Tema: Socialização e Mecanismos de Controle
Primeiras: IV e V do ensino médio

EXERCÍCIO AVALIATIVO DE SOCIOLOGIGA
NOME:                                                                                           SÉRIE:                                   DATA: 1.0  Textos:
A) “Socialização é o processo de transmissão dos códigos culturais de um grupo social aos indivíduos que dele fazem parte, integrando-os à medida que interiorizam as informações recebidas. Esse processo se inicia no nascimento e continua por toda a vida, por meio do contato permanente de uns com os outros” (SOCIOLOGIA EM MOVIMENTO, 2013, p. 84).
B) “A socialização dos indivíduos permite inseri-los em uma estrutura ou sistema social preexistente, orientando-os para o que denominamos conformidade, ou seja, a ação orientada por uma norma e seus  limites de comportamento. Nas relações sociais, um  dos elementos importantes é a possibilidade de prever ações dos sujeitos com alguma segurança. Tal possibilidade é essencial para a cooperação, manutenção e preservação do grupo social. Os mecanismos  pelos quais se garante conformidade à ordem social constituem um conjunto conhecido como controle social.  O controle social compreende os mecanismos que delimitam as ações e as interações sociais seguindo parâmetros previsíveis, incorporados pelos indivíduos por meio da socialização” (SOCIOLOGIA EM MOVIMENTO, 2013, p.92).
C) Seguindo a lógica dos conceitos acima expostos, procure responder as questões abaixo:
I.          Caso o Estado tenha a função (papel) de garantir a transmissão de tais códigos culturais quais os possíveis meios que usaria para tanto e através de qual (ais) instituição ou grupo social?
II.          Entre os conceitos de socialização e controle social, tendo em vista o papel do Estado, qual a função da escola?
III.         Imagine e desenvolva suas ideias: Tendo em vista a submissão do indivíduo ao Estado e o controle deste sobre os primeiros, o que poderia acontecer caso o Estado usasse sempre e constantemente a força como meio de controle social?  ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
IV.          Quais mecanismos e instrumentos de controle podemos exemplificar como existentes no âmbito escolar?___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
2.       Recordando do filme assistido: “Divergente”. Responda:
2.1 Como você pode justificar o nome do filme a partir dos conteúdos estudados em sociologia? _____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
3.     Aponte formas de socialização que aparecem no filme Divergente. ___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
4.                   “Nove décimos de tudo o que você faz, diz, pensa, sente, desde que se levanta de manhã cedo até que vai para cama de noite, você diz, faz, pensa, sente, não como expressão própria, independente, mas em conformidade inconsciente e sem critica com regras, regulamentos, hábitos grupais, padrões, códigos, estilos e sanções que existiram muito antes que você nascesse”. (G. Smith Russel)
5.     Já vimos que a sociabilidade, a tendência natural para viver em sociedade, é desenvolvida através do processo de socialização, pelo qual o individuo se integra no grupo em que nasceu assimilando sua cultura. A socialização é o ato de transmitir ao individuo, de inculcar em sua mente os padrões culturais da sociedade. É o processo social mais glogal. O controle social funciona como o maior instrumento de socialização. O olhar de reprovação dos pais quando uma criança toma sopa fazendo barulho, ou a gozação que os adolescentes fazem se um deles aparece vestido de terno e gravata são exemplos de controle social. O controle social são as formas pelas quais a sociedade inculca os valores do grupo na mente de seus membros, para evitar que adotem um comportamento divergente (não aceito). O controle social tem por objetivo fazer com que cada indivíduo tenha o comportamento esperado. É o controle, por exemplo, que nos leva a manter a cabeça descoberta, enquanto até algumas décadas atrás esse mesmo controle fazia com que a maioria das pessoas usasse chapéu. Desse modo, o controle social leva as pessoas a evitarem um determinado comportamento em certa época e a adota-la em outro. Assim foi com a calça comprida para as mulheres, a minissaia, a roupa de banho, o cabelo comprido, etc. A primeira agencia de controle social é a família. Desde que nasce, a criança é orientada, controlada, moldada pelo grupo familiar. Depois da família, temos a Igreja, a escola e o Estado: são todas agências formais ou institucionalizadas de controle social. Quando algumas sanções estabelecidas pela sociedade não são suficientes para exercer controle social, surge a necessidade de elaborar mais leis e instituições encarregadas especificamente do controle social. Nas sociedades modernas, mais complexas, aumenta a presença da instituição jurídica, da instituição policial e do Estado, substituindo os controles espontâneos que antes predominavam.
6.       ATIVIDADE
6.1. O que você entende por socialização?
 6.2. O que é controle social? Qual o objetivo dele?
6.3. Quais são as primeiras instituições que transmitem o controle social?
6.4. Porque nas sociedades modernas aumenta cada vez mais a presença da instituição jurídica, policial e do Estado no controle social?
7.       EXERCITANDO OS CONHECIMENTOS...
7.1. Explique com suas palavras o que é cultura.
 7.2. Como os seres humanos adquirem cultura?
7.3. Explique a afirmação: “não há sociedade sem cultura, do mesmo modo que não há ser humano destituído de cultura”.
7.4. Dê quatro exemplos de elementos da cultura material que o rodeia.
7.5. Dê quatro exemplos de elementos da cultura não material que você teve ou tenha contato.
7.6. Dê um exemplo de padrão da nossa cultura ligada ao comportamento masculino e outro ligado ao comportamento feminino.
7.7. Dê um exemplo de controle social presente em sua vida.
 8. Explique com suas palavras o objetivo do controle social.__________________________________________________ _________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________